Domingo, 16 de Maio de 2010

14º Capítulo - Odeio-te a Ti

Catorze

O tique

 

 

- Amanhã… - Começou Tom com a cabeça sobre a barriga de Meg.

Ouviu carros a arrancar na estrada, a música do bar ficava mais baixa, perdendo gradualmente o som. As correntes roçavam o chão para trancar as portas e a voz dos homens cansados de mais uma noite de trabalho era inaudível. Calculou o tempo que passava de uma noite perfeita. Uma noite em que se relembra-se de todos os sorrisos, de todas as frases, de todas as companhias e diversão que tinha sentido. Mas era tudo ofuscado pela visão de Meg, com seu cabelo de caracóis densos em contacto na pele de seda nua. Eram os seus olhos fechados em prazer e os lábios mordidos em desespero de satisfação que percorria a sua mente vezes sem conta.

Não continuou a frase, beijou-lhe a barriga minuciosamente durante largos segundos e sentiu as mãos de Meg percorrerem-lhe mais uma vez as costas, o seu olhar voltar à forma de um sorriso, que confirmou nos seus lábios.

Pousou as mãos sobre o seu peito e rodou em cima dele. Tom soltou uma gargalhada seca e de satisfação, com Megan em cima de si.

- Então Meg, tens medo que eu fuja?

Ela sorriu enviesadamente e passou-lhe um dedo pelo peito, atirou a cabeça para trás para tirar o cabelo dos olhos e beijou-lhe o mamilo, descendo pela barriga, arrastando o lábio. Tom enlouquecia ao sentir a sua respiração na pele descoberta e mordeu o lábio quando se apercebeu da localização da boca de Megan, descendo pela bacia, cada vez mais para baixo.

Repentinamente, uma amaldiçoada mão bateu no vidro do carro, sobressaltando Tom, que logo ergueu o tronco.

- Não quero saber! – Gritou Meg, contrariada ao beijar os seus lábios ao invés do seu torneado corpo.

- Tom! Dás-me boleia?!

Gritou uma voz, correspondente à mão que tentava desembaciar o vidro em vão. O calor estava lá dentro, nada podia fazer. Bateu repetidamente, até ver a expressão irada de Tom com a cabeça de fora da porta do carro, tentando vestir a t-shirt.

- Ups. – Desculpou-se Kyle.

- Pois! Não é preciso dizer mais nada, pois não?! – Rosnou Tom.

- Eu vou a pé…

Kyle bufou, afastando-se com as mãos nos bolsos, e Tom voltou a fechar a porta. Quando pousou de novo o olhar em Meg, já ela estava de calças vestidas e soutien, procurando o top desesperadamente.

- Então? – Gemeu o rapaz, desapontado.

- Tens de me levar a casa, o meu pai… - Não continuou, encontrou a peça de roupa desaparecida  e vestiu-a de imediato, comprimindo os lábios para não falar mais.

- Tudo bem, ele vai chegar agora? Tens mesmo de ir?

- Sim.

Ele arregalou os olhos e agarrou as calças, vestiu-se rapidamente e observou Meg dirigir-se ao lugar do passageiro. Agarrou no telemóvel e ligou-o com impaciência, enquanto batia com o pé no chão. O seu tique, Tom conhecia-o desde há muito.

- Ainda fazes isso com o pé?

- O quê? – Meg olhou para o pé que tremia incessantemente e fez um sorriso rápido. – Parece que sim.

Tom acabando de se vestir, mudou para o lugar do condutor e ligou o motor, começando a conduzir rapidamente. A viagem era silenciosa, Meg batia o pé no chão cada vez mais rápido, com o olhar pregado no vidro. Enquanto os pensamentos de Tom se tornavam mais preocupados e convergentes, enchiam-se de pura tristeza.

Ainda mal tinha o carro parado, Megan tinha o pé de fora do carro e estendia a cabeça para o beijar nos lábios quase de raspão.

- Obrigada.

Saiu do carro quase a correr e entrou pela garagem, onde já se encontrava o carro do pai. Viu-a bater com o pé no chão, irada e a desaparecer pela porta que dava para a cozinha, fechando o portão no botão.

 

Na altura em que fechava a porta do quarto em silêncio, se despia das roupas que cheirava gradualmente, sentindo o seu cheiro tão presente. Suspirou e atirou-se para cima da cama, pensando como ia sobreviver na manhã seguinte, quando Megan não lhe ligasse, ou mesmo desviasse a cara a olhá-lo de novo. Com aquele olhar culpado, mudado desde o acidente.

Ambos sabiam que o que tinham feito era uma história que parecia exagerada, daí a judiciária não ter posto essa hipótese, deixando o caso arquivado. Ambos sabiam que toda a cidade, consideravam Meg como a maior vítima. Ambos sabiam que todos os vizinhos e amigos consideravam Brenda Thompson uma mulher fiel e inocente, apenas com uma filha nos braços.

Mas também, ambos sabiam que tudo isto era mentira.

 

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Terça-feira, 11 de Maio de 2010

13º Capítulo - Odeio-te a Ti

Treze

Odeio-te cada vez mais


Ele tocou na sua face lentamente, deslizando o dedo pelo seu maxilar, desceu pelo pescoço e passou a mão por todo o seu peito. Só ele sabia como tremia por a sentir desta forma de novo. O coração dentro do seu peito tentava saltar cá para fora, as respirações eram tão ocultas, eles não queriam interromper nada.

Desceu a mão pela sua barriga, enquanto olhava os seus olhos brilhantes de lágrima.

- Não tiveste culpa. – A sua mão continuava a deslizar pelo seu corpo a uma velocidade lenta – O plano não era aquele, nós não queríamos matar a tua mãe, não queríamos matar…

Ela parou para olhar a sua mão, que afagava a pele da barriga que o top engelhado não cobria. Olhou para ele e sorriu nostalgicamente, passou os dedos pelas têmporas de Tom e encostou de novo a cabeça ao seu corpo.

- Não queres ir lá para dentro? – Perguntou ele.

- Não.

Ambos se calaram, olharam pela janela um grupo de rapazes passar, e Tom aproveitou para contemplar mais uma vez o rosto de Meg. Passou o polegar secando uma lágrima e ela fitou Tom com atenção.

- Tu odeias-me?

Megan voltou ao seu mundo, baixou as mãos e ficou calada por uns segundos, até descarregar os seus sentimentos de todos aqueles anos.

- Odeio Tom. Odeio-te tanto como me odeio a mim. Por termos feito aquilo, por termos provocado a morte de 2 pessoas inocentes e… - parou para fungar – eu podia ter sido feliz entendes? Eu iria ser feliz como tu és, com o teu irmão! E tens pais separados… Eu podia ter sido feliz. Mas não o fiz, preferi ir por caminhos que ninguém escolheria.

- Nós éramos diferentes, achávamos que podíamos controlar muita coisa. – Defendeu ele – Foi uma escolha mal feita, foi a pior que alguma vez fiz, também me sinto mal, sinto-me mal porque fui que te deixei fazer, fui eu que sabotei os travões, fui eu Megan, não tu. Não te odeies a ti.

- Passei estes anos a odiar-te, já chega, não achas? – Olhou-o inocentemente, com as pernas sobre as dele.

Ele colocou o polegar, sobre a sua face e entrelaçou os dedos no seu cabelo, colando os lábios delicadamente, e abrindo-os com paixão, apenas para sentir o seu doce sabor. Acariciava a sua língua lentamente, num beijo que nunca iria acabar, se ela não se deitasse no banco, esperando por mais, com um sorriso leve nos lábios.

- Odeias-me? – Perguntou ele, deitado sobre ela, falava sobre os seus lábios.

- Cada vez mais.

Beijou-a de novo, fugazmente, subindo a mão pelo top, a sentir a sua pele arrepiada. Megan perdia o controle, tudo o que lutara para se manter longe dele, tal como o pai lhe pedia, era agora em vão. Tudo tinha chegado a um extremo, e eles não aguentavam mais a distância, a ignorância de sentimentos.

Despiu a t-shirt de Tom e ele beijou-lhe os lábios com mais força, com mais desejo. Levantava o top enquanto beijava delicadamente a sua barriga, passando o umbigo e centrando-se nos seios, retirou a peça de roupa rapidamente. Massajou-lhe o peito enquanto Meg suspirava com os dedos emaranhados nas rastas, retirou-lhe bruscamente o boné, deixando a fita para as segurar.

Com dificuldade desapertou o soutien e deixou-o cair para o chão num único golpe, desesperado por mais contacto, para a poder sentir de novo. Tudo o que queria era apagar a saudade. Era paixão e alegria o que sentia, além do desejo. Quando sentia as mãos delicadas da rapariga percorrer-lhe as costas, lembrava-se da quantidade de vezes que sonhava com isto. Mas a realidade era tão melhor.

Megan sabia que por baixo de todas aquelas máscaras para se manterem fortes, eles estavam completamente apaixonados. Desejando mais um do outro do que alguém possa imaginar. Eram um do outro desde há muito tempo. Nunca o tinham deixado de ser, desde que sorriram pela primeira vez no parque, com três anos de idade.

- Promete-me que ficas comigo. Não me deixes afastar-te, nunca mais. – Murmurou ao seu ouvido com a respiração acelerada.

- Prometo-te Meg, para sempre.

Ela deslizou as mãos e fez as calças descerem rapidamente. Enquanto Tom se chegava mais para a frente para as retirar completamente, juntamente com os boxers, Megan fez o mesmo à sua própria roupa e puxou-o para si. Beijou-lhe o pescoço e o ombro, deixando toda a saudade actuar sozinha. Quando Tom se movimentou, lento, delicadamente e com cuidado dentro de si, lembrou-se como se tinha apaixonado pela sua graciosidade, pelo seu sorriso, pelos seus olhos meigos.

Beijou-o com mais força, deixando-se ser consumida pelo desejo dos movimentos de Tom. Gemia de prazer e felicidade, sentindo o amor tão quente no seu coração.

 

 

 

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Domingo, 9 de Maio de 2010

12º Capítulo - Odeio-te a Ti

Doze

Como se tudo fosse seu

 

 

- Não vens? – Perguntou Megan, cravando os olhos no boné do rapaz, a única parte do seu corpo que via por detrás do carro.

Ele não respondeu. Ela encolheu os ombros e olhou os pés, reparou que o verniz beje estava já a estalar enquanto reflectia se Bill já estaria lá dentro. Parou durante breves segundos, talvez esperando uma resposta do louro.

O seu coração batia agora mais depressa, quando ouvia o som da música e se sentia encurralada cá fora, não sabia porquê, mas todas as presenças no interior do bar, eram de repente indiferentes. Puxou a camisola para baixo, e verificou o batom no espelho retrovisor, esperando ardentemente que Tom se movesse e entrasse dentro do bar. Não queria ter uma conversa de novo com ele, daquelas em que o seu coração reconstruído passo a passo se ruía de novo.

Olhou de novo o boné e colocou-se em bicos de pé até o avistar de um ângulo mais favorável. Sempre na mesma posição.

Suspirou e começou a andar até à porta do bar, entrou sem problemas, visto conhecer Kyle, e olhou em volta. Não sabia o que procurava. Foi até ao bar e pediu uma bebida ao colega de Kyle, olhando atentamente a porta, esperando Tom. Mas ele não aparecia.

Quando desviou um pouco o olhar, reparou no aceno de Bill, num lado da pista, dançava com Ginger. Foi aí que decidiu directamente. Agarrou no copo e saiu do bar aos tropeções. Quando chegou cá fora respirou todo o ar que conseguia; como se o ar do bar não fosse de todo respirável.  As pessoas que via eram de outro planeta, não as reconhecia. Não lhes via nenhuma parecença com ela.

Bebeu um trago da bebida e deixou-a num parapeito de janela, enquanto dava a volta ao bar, até às traseiras para procurar Tom. A distância parecia-lhe enorme, como se tivesse realmente separada por longas milhas.

Mas logo o avistou, ainda o seu coração batia avidamente. Ela sabia qual era a situação, ela sabia porque razão ele estava assim, ela sabia tudo. Sempre soubera, sempre guardara e tinha de guardar. Correu até ele e deixou-lhe o corpo cair nos braços, começando a tremer. Tudo um horrível dejá-vu.

- Meg…

Megan soluçou durante longos minutos, enquanto Tom lhe revolvia os cabelos. Enquanto passava os dedos pela sua face tímida. Tocava-lhe como se tudo fosse seu, como se nunca se tivessem separado.

- Eu não consigo Tom… - murmurou, com os soluços travados já há algum tempo.

- Consegues sim – afastou-a do seu corpo – sempre conseguiste, já viste o tempo que passou? Já viste o que superaste, ou que superámos.

- Superei muita coisa, não superei aquilo, não… - fungou e olhou os olhos de âmbar do rapaz – te superei a ti.

 

Pararam os dois, perdidos no olhar, com pensamentos reflectidos. Tinham passado exactamente quatro anos da mesma situação. Meg chorava, desesperada, não aguentava mais a mentira, ou a ocultação de tudo o que se passara, de como eles tinham sido capazes de provocar a morte de alguém, assim.

Fazia quatro anos, que Tom a consolara, quando ainda se consideravam amigos, mais do que isso. Fazia quatro anos de toda a situação, que ambos iriam relembrar para sempre.

Tom sentiu o corpo da rapariga a tremer mais do que nunca. Abriu a porta cuidadosamente e deixou Meg entrar, seguindo-a. Ela enroscou-se no seu peito, com os joelhos junto às costas do banco. Agarrou na sua camisola com força, respirando mais tranquilamente, sabia que não o podia deixar ir.

 

“ O seu corpo tremia como se mil choques eléctricos o percorressem, passavam também para o corpo de Tom. Ele abraçou-a com mais força, cobrindo a sua face com o peito, protegendo-a de tudo.

- Foi demasiado elaborado Tom… que tipo de adolescente consegue ter cabeça para isto? Parece um CSI, um Crime disse Ela, qualquer merda dessas… - parou, agarrando a sua t-shirt com as duas mãos, abanando-o – Nós não o podíamos ter feito!

- Está feito Meg… - Murmurou, olhando o carro afastar-se, da janela do quarto de Meg. – Não o podes desfazer. Era isto que querias. Onde está a tua mãe?

- Foi ao médico, por causa…daquilo. – Finalizou com a voz a tremer.

Ambos suspiraram, e a cabeça de Megan voltou a rodopiar. Ela agarrou a camisola com mais força e ele puxou-lhe o queixo para cima. Colocou um dedo sobre os seus lábios e colocou a sua expressão mais séria, aquela que Megan sabia que podia confiar.

- Aconteça o que acontecer estamos juntos, certo?

Um tímido sorriso rasgou-lhes a face, e juntaram os seus lábios, como se fosse a última vez que os juntavam.”

 

- Não o devíamos te feito Tom…

- Eu sei…

Agora não eram adolescentes imaturos, com um toque rebelde nas suas vidas. O sangue não fluía da mesma maneira, não era a raiva que o controlava; mas sim a culpa.

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Sábado, 8 de Maio de 2010

11º Capítulo - Odeio-te a Ti

Onze

Ele…não sei

 

 

 

- Pai? – Chamou logo que entrou a porta de casa.

Ouviu os passos aproximarem-se e apareceu o se rosto de meia-idade à sua frente. Cansado, mas felizmente calmo.

- Onde estiveste Megan? – Perguntou de imediato.

- No rio, com…

- Com o Kaulitz de novo. – Completou exasperado.

- Com os Kaulitz – corrigiu – Precisas de alguma coisa ou trouxeste jantar?

- Já comi na empresa, e vou voltar. Falta contratar mais compradores, a Fouler nunca mais assina contracto -  divagou.

- Vais ver que consegues…

Megan mordeu o lábio inferior, preferiu não contar que iria estar fora de casa de novo. Ele de qualquer maneira não descobriria, iria voltar muito depois dela a casa.

Dirigiu-se à cozinha e pegou numa maçã, passou de novo pelo pai e não o olhou nos olhos. Começou a subir as escadas enquanto examinava o fruto que tinha nas mãos.

- Não tenho fome, vou para o quarto. Boa noite. – Disse educadamente.

- Megan – chamou – espera.

- Diz

- A Simone disse umas coisas…que eu fiquei a pensar.

Megan desceu um degrau em fraqueza. Olhou para cima como que pedindo piedade e finalmente olhou o pai. Porque tinha Simone de trabalhar com o seu pai?

- Sobre o quê?

- O que é que tu e o Tom fazem durante as tardes? – Questionou, directo.

Ela olhou mais uma vez a maçã, respirou fundo e falou quase comendo as palavras.

- Eu estudo, ele… não sei. Hoje estivemos no rio.

- Os dois?

- Não pai! Eu estive com o Bill, ele por acaso estava lá. Agora posso ir?

O pai bufou e atirou com o telemóvel para cima da mesa.

- Só não quero que me arranjes mais confusões Megan.

- Não arranjo, eu mudei.

E se mudou…

 

 

Agarrou no telemóvel e enfiou-o no bolso. Olhou para a mala, mas não lhe apeteceu andar com mais um peso sobre os ombros, apesar de este ser físico. Estava calor dentro do quarto; revolveu o cabelo com os dedos e resolveu por si mesma, ir para o alpendre esperar por Bill.

Desceu as escadas calmamente e saiu a porta, com o cuidado de a trancar. Sentou-se na escada com a cabeça apoiada nos joelhos, e foi nesse momento que viu a velha senhora atravessar a estrada. Pensou em levantar-se e talvez falar-lhe, mas lembrou-se que ela não a conhecia.

Tinham apenas a memória de um desastre. Tinham em comum algo, mas talvez opostos. Megan perdera a sua mãe e um mundo futuro; e aquela velha mãe, a Sr.ª Kurtis tinha perdido o seu filho, e todo a sua vida passada.

Suspirou e viu a senhora dirigir-se à caixa de correio, no seu passo vacilante e quebrado por medo e fadiga. Não tinha reparado nela durante todo o funeral, apenas quando toda a gente tinha saído, e o chão estava seco de lágrimas, olhou para o seu lado esquerdo e sentiu a sua presença. Não chorava, tal como ela. Mas exibia uma expressão de pura tristeza e incompreensão. E era nisso que chocavam. Megan compreendia tudo, e o rapaz ao seu lado também.

 

- Eu sou daqueles que não telefona depois da coisa acontecer. Prefiro voltar e ver a carinha feliz da gaja, quando me vê de novo. – Disse uma voz que pairava à beira da estrada num carro cinza escuro.

- O que fazes aqui? – Murmurou Megan, levantando-se e dirigindo-se ao carro – O Bill?

- Não gritas? Não dizes que me odeias? - Surpreendeu-se Tom. – O Bill, ficou mais tempo a arranjar-se e eu achei que não devias esperar…

Megan dirigiu o olhar de novo para a senhora, que andava em passo lento para dentro de casa. Tom continuava com uma expressão expectante, mas no entanto seguiu o olhar de Megan até o outro lado da estrada, e ali ficou parado por instantes.

- É ela… - Não perguntou, declarou com certeza e abriu a porta do carro para entrar.

Megan não pensou duas vezes, colocou uma madeixa de cabelo atrás da orelha e entrou no carro fechando a porta atrás de si, ele logo arrancou. Colocou as mãos sobre o colo e olhou-as durante um tempo indeterminado, embalada pelo motor silencioso mas rápido.

- O que se passa? – Questionou Tom, com a voz presa na imagem que ambos tinham recordação.

- Do quê?

- Estás aqui… - constatou.

- Às vezes sabe bem, estar com alguém que saiba os nossos segredos, não ter de me esconder por uma vez de alguma coisa.

Ele suspirou e descolou a mão do volante, pousando-a sobre a de Meg. Ela passou um dedo pela sua pele de seda com um certo carinho, mas depois, pegou na sua mão e colocou-a de volta no volante.

- Não abuses Kaulitz.

Ele sorriu, e aumentou a velocidade até ao bar. Quando chegaram, estacionou e saiu do carro, encostando-se à porta fechada sem dizer uma palavra.

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Domingo, 28 de Março de 2010

10º Capítulo - Odeio-te a Ti

Dez

Fome

 

Quando os lábios se separaram, havia um silêncio no rio, que nunca tinha acontecido antes. Era o espanto, o reconhecimento nos expectantes, e a atracção, tanta atracção entre os dois corpos ainda unidos no rio.

Megan continuava de olhos fechados, e logo que os abriu, viu o sorriso presunçoso no rosto de Tom.

- Melhor do que há alguns anos, certo? – Perguntou ele aproximando ainda mais o corpo, se possível.

A mão de Megan continuava no seu peito, enquanto olhava mais atentamente os seus olhos de um âmbar bem líquido. Estavam completamente em contacto, Tom conseguia sentir a firmeza do corpo de Megan no seu. Vagarosamente tentou aproximar os lábios de novo, mas ela desprendeu-se dos seus braços, colocou as mãos sobre a sua cabeça e empurrou-o para baixo de água com força.

Quando olhou para o lado, viu Bill completamente chocado e divertido, até achar que o seu irmão já estava à demasiado tempo debaixo de água.

- Meg! Já chega! – Gritou ele, aproximando-se.

Nesse momento, as suas pernas foram agarradas por umas mãos mesmo suaves debaixo de água. Percorreram rapidamente toda a superfície das pernas e pararam no seu rabo, apalpando-o. Megan soltou um grito estridente e retirou as mãos da cabeça de Tom.

- Também melhor do que há algum tempo… - Disse Tom ainda ofegante quando conseguiu vir à superfície.

Ela revirou os olhos e olhou para o rosto ainda em choque de Bill, onde se formava um sorriso. Este abriu a boca, tentando com certeza, dizer uma piada de mau gosto.

- Nem te atrevas Bill! – Vociferou Megan, aproximando-se.

- Que modos Megan… - Opinou Tom de longe, enquanto nadava de novo até Megan e Bill.

- Ela sempre teve este lado assassino. – Constatou Ginger.

Megan voltou-se para trás, pousou os olhos raivosos em Tom e pegou no braço de Bill.

- Não tens fome? Vamos comer alguma coisa. – Decidiu, arrastando-o até à margem.

- Mas tu ainda tens fome? Depois de…

Megan apertou-lhe o braço com força, fazendo este calar-se de imediato.

Ambos foram até ao carro, onde se sentaram no porta bagagens. Megan devorava tudo o que se encontrava na geleira enquanto caracterizava toda a estupidez de Tom.

- Meg… - começou Bill – Tu não ficaste assim tão chateada!

- Estás a brincar?! Raio de beijo! Ainda devia ter o sabor pegajoso da tua prima.

- Sim pois Megan… o beijo para já, demorou eternidades, e já vi raparigas ficarem muito mais relutantes a um beijo! Aposto que participaste, e bem!

- Não acredito que estou a ter esta conversa contigo… - Revirou os olhos e olhou de novo para a geleira procurando algo mais para devorar.

Pegou numa lata de Coca-Cola e olhou intrigada.

- Diet? Que merda é esta? Nem Coca-Cola ele sabe trazer.

Bill revirou os olhos e arrancou-lhe a lata da mão, bebendo-a de seguida.

 

 

Tom deixou-se ficar na água, a sua pele estava já arrepiada de estar tanto tempo quieto. Repensava o beijo vezes sem conta, desejando não ter sido estúpido ao ponto de dizer todas aquelas provocações a seguir. Mas só ele sabia como gostava de ver Megan zangada, as expressões adoráveis que fazia, como os seus olhos ficavam brilhantes. O brilho da raiva, já que o do amor não podia ter.

Reviu a frase de Megan há duas noites, quando lhe pediu que ficasse com ela. Como queria que aquilo fosse verdadeiro, que ele não estivesse Bêbada e lhe dissesse aquilo veridicamente.

Suspirou, e o seu corpo foi de novo abrangido pelo de Ginger.

- Devias ter estado calada. – Disse de imediato, ainda nem tinha visto o seu rosto.

- Ora, qual foi o problema… Como se alguém fosse perceber.

Passou a mão pelo peito de Tom e suspirou.

- Não tens o Louis ou o Kyle para brincar?

- Não me apetece muito. Só te queria perguntar… - começou assumindo uma expressão séria.

- Não, ela não contou ao Bill ainda, nem vai contar.

Ela recuou a mão mais para baixo, pela barriga e até ao começo do fato de banho.

- Ginger, chega.

- Ela gosta de ti Tommy, mas têm muito historial, não é?

Ele virou-lhe costas, foi até à margem, estendeu a toalha e deitou-se, olhando sempre para o caminho de acesso. Esperando ansiosamente o retorno de Megan e Bill.

 

 

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Domingo, 14 de Março de 2010

9º Capítulo - Odeio-te a Ti

Nove

O rio leva (a) tudo

 

 

            Depois de ter colocado a toalha e o protector na mala, abriu a porta do quarto do pai silenciosamente para verificar que ele já saíra. Entrou, fez-lhe a cama e levou a roupa suja para o cesto. Num acto irreflectido, endireitou a fotografia da mãe que jazia na mesa-de-cabeceira, passou o dedo trémulo pela barriga da figura e depois voltou costas. Saiu de casa e conduziu em direcção ao rio.

            Ignorando outros pensamentos, só imaginava Tom, com um rosto impávido, esperando-a junto do rio. Estremeceu e finalmente estacionou o carro. Olhou a água brilhante e encostou a cabeça, observando toda a paisagem, esperando Bill e o resto dos amigos.

            Não demorou muito tempo até o seu pensamento se dirigir à situação do dia anterior. Já via de novo o rosto desapontado de Bill, reconhecendo de novo que ela tinha um segredo. Um segredo apenas para com ele.

            Encheu-se de tristeza ao repensar como seria estar no seu lugar, sem compreender nenhum sinal, ignorando desaparecimentos e mazelas da sua melhor amiga. Tentar sobreviver a um ódio entre duas metades da sua vida. Sustentar uma amizade assim era algo inimaginável.

            Mas ele não compreendia o resto, ele não sabia que cada dor que Megan sentia e sofria, era merecida. Pelo menos no ponto de vista da sofrida rapariga.  

 

 

            Quando ambos saíram do carro, olharam para a rapariga de olhos fechados e unhas cravadas no volante, que tinha à sua frente. Não era a melhor amiga de Bill, não era aquela por quem Tom sofria um enorme fascínio. Era uma rapariga amedrontada, tentando atirar os pesadelos e maus pensamentos para um buraco bem fundo.

            Ambos os gémeos conheciam aquela expressão, mas apenas um sabia a razão. Tom inspirou fundo e começou a seguir para o rio. Atirou com a toalha e camisola que despiu de seguida para a relva e correu para a água, afundou bem fundo a cabeça. Tentou tirar a imagem perturbada de Meg da sua mente.

            Assim que veio à superfície, estava ela a descer o caminho para o rio, sorrindo dos gritos de Bill.

            - E depois ela atirou-me para o chão! Eu fiquei totalmente passado… desde quando uma rapariga consegue fazer isso?! – Gritou ele.

            - Não és propriamente a força em pessoa Bill. – Respondeu Megan, com um sorriso.

            - Hey! Mas ela é uma besta, ainda bem que a minha mãe a mandou de volta para casa… - amuou. – Mas o Tom achou-lhe muita graça… serem primos não era possivelmente um problema.

            - Teve tempo para essa merda toda ontem?

            - Yap. – Disse de imediato.

            O olhar de Bill percorreu o rio e de começou a sentir uma presença nas suas costas, voltou-se e Ginger saltou-lhe para as costas.

            - Billy! Vamos para a água!

            Cravou-lhe as unhas vermelhas no peito e ele gritou de dor, correu para a água com a t-shirt vestida e atirou Ginger para a água, de vestido e com as sandálias.

            - Primeiro despias-me, não?! – Exaltou-se, enquanto nadava para junto de Tom.

            Megan soltou um suspiro e olhou para os amigos que corriam todos para a água, olhou para Kyle que ainda despia a t-shirt e sorriu de satisfação. Empurrou-o para a água e saltou-lhe para as costas também, enquanto isso, desejava ardentemente que Tom a estivesse a olhar, e estava. Magoado e rodeado pelos braços de Ginger, só direccionava o olhar para Meg.

            Bill tirou a t-shirt, atirou-a para a borda de água e nadou até Megan, sorrindo e ignorando Jody amuada atrás de si, por este não querer “brincar”.

            - Então, deste tampa à menina? – Perguntou Megan, tentando equilibrar-se sentada nos ombros de Kyle.

            - Para o que ela quer tem o meu irmão aos sábados. – Disse Bill decidido.

            - Pois tem, e aposto que também o podia ter noutros dias…ele é que está ocupado em ceifar a vida das pessoas.

            - Não sejas assim Megan… – Replicou Bill, sobre o riso de Kyle.

            - Eu não… – Disse inocente -  Ele apenas…

            De repente perdeu Tom de vista, olhou para todas as direcções do rio, fixou o olhar em Ginger que se aproximava de Jody, já distraída e de repente sente o seu corpo ser puxado para trás.

            - Louis! – Apenas teve tempo de gritar, enquanto caía de costas na água fria.

            Uma mão agarrou-a pela cintura debaixo de água, puxou-a e quando veio à superfície, conseguiu aperceber-se do rosto limpo e de nariz arrebitado na sua frente.

            - Achavas mesmo que era o Louis? – Murmurou Tom.

            - Não sei. – Disse, engolindo em seco.

            Os risos de Bill eclodiam no rio, acompanhados dos de Kyle.

            - Olha Bill, vai brincar com a Jody e leva o Kyle contigo ok?! – Gritou Tom exaltado, para poder falar a sós com Megan.

            Bill levantou os braços em sinal de rendimento e sorriu, matreiro, arrastando Kyle atrás de si.  Ambos foram ter com Louis que ainda estava deitado na relva, esperando que o pior pudesse acontecer e fosse forçado a entrar nas brincadeiras na água.

            - Meg. – Disse Tom de imediato, puxando de novo a atenção para si.

            - O que foi desta vez?

            - Não tens telemóvel?

            - Parece que não. – Disse Megan encolhendo os ombros.

            - Qual é a tua afinal?

            - Sei lá, pergunta isso à tua prima ranhosa. – Desviou o olhar e começou a andar vagarosamente até à margem.

            Repentinamente, foi impelida para trás com um braço na cintura, como tinha ele o hábito de fazer. Viu os seus lábios esmagados contra os de Tom e fechou os olhos em prazer, enquanto batia bruscamente no seu peito nu, bem definido.

            Era o sabor da mistura quente do ódio e atracção.  

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Sábado, 13 de Março de 2010

8º Capítulo - Odeio-te a Ti

Oito

Limites

 

 

            Não foi o calor, não foi o conforto que a acordou. Apesar de presente, a dor da ressaca era muito maior. Levantou-se vagarosamente, e pé ante pé dirigiu-se à porta. Antes mesmo de sair para o corredor, decidida a esquivar-se para casa, olhou Tom. Curvado sobre o espaço onde figurava anteriormente o seu corpo, mostrava uma expressão simples e doce que sempre recordara quando eram crianças. Mas havia várias circunstâncias que a impediam de ir ter com ele, de se deitar de novo nos seus braços.

            Havia morte, havia traição, havia deslealdade, havia dor e sobretudo saudade. Saudade que não podia ser remediada de nenhuma maneira. Saudade que não era merecida, e que não tinha, no seu ver, asas para voar. Era persistente e mal encarada, como se fosse um objecto tão velho que se torna invisível aos nossos olhos.

            Quando entrou dentro de casa, não esperava aquele toque tão brusco, que somava a sua vida num dramatismo. Algo não esperado, algo que ele não imaginava em criança, deitou-se sobre uma cama de espera de uma vida melhor, mas ela era tortuosa, repleta de altos e baixos, de partes que saíam disparadas da sua vida. Agora era assim, uma vítima.

            Não conseguia afastar nada, já tudo tinha fugido, o que restava era a dor, e uma figura que apareceu escassas horas depois, que ela também não esperava.

            - Megan! O que se passou? Nunca faltas ao último dia.

            Ela baixou a cara tentando esconder o seu estado do amigo. Mas ele já o conhecia, era inevitável. Ele aproximou-se dela no jardim, pegou-lhe no queixo e elevou-o. Deixou que a boca se abrisse num espanto e passou o dedo pela sua bochecha negra.

            - Não sabia que tinha chegado a isto… - murmurou.

            Ela engoliu em seco, olhou para a porta de casa e continuou a varrer o alpendre, serena.

            - Chega Megan, isto não pode continuar assim. – Revoltou-se.

            - Bill, não te metas.

            - Como não me meto?! Megan isto ultrapassa todos os limites… Tu vens comigo para casa.

            - Não Bill. – Contestou.

            Ele baixou o olhar até a vassoura que Meg agarrava e arrancou-lha das mãos. Encarou-a, furioso e arrastou-lhe pelo braço até perto do seu carro.

            - Tu não entendes que isto não é normal?

            - Bill… pára com isto, eu não vou a lado nenhum.

            - Podes vir para minha casa! Ele não vai lá, garanto-te, e o Tom…bem, ele porta-se bem, e eu também. A minha mãe adora-te! Vá lá! – Os seus olhos brilhavam de ansiedade.

            - Eu estou bem.

            Pousou a mão no ombro do amigo e sorriu timidamente.

            - Então, amanhã vamos ao rio? Convida quem quiseres, eu não contesto.

            Bill elevou a sobrancelha e suspirou, pousou a mão na face de Megan e não mexeu um músculo, até se decidir a falar.

            - Meg, deixa-me ajudar-te.

            - Não há nada para ajudar! Está tudo bem, não vamos perder tempo de férias com isto. Por favor…

            Ele fixou o olhar no carro brilhante, acabado de lavar e fechou a porta que anteriormente tinha aberto para empurrar Megan à força. Queria vê-la segura, queria que ela fosse feliz. Mas como podemos ajudar alguém que não quer  ser ajudado?

            - É mesmo isto que queres? – Gemeu.

            Ela assentiu com a cabeça e sorriu afavelmente.

            - Tudo bem. – Disse por fim, abrindo de novo a porta do carro. – O Tom também vai, como castigo Megan Thompson!

            - Odeio quando me chamas isso!

            - Megan, tu odei… - parou sorrindo – não é preciso continuar a frase pois não?

            Ela empinou o nariz e virou costas ao carro com o motor já a ronronar. Entrou calmamente dentro de casa e sentiu o telemóvel vibrar no bolso das calças.

 

            A chamar - Tom

 

            Pressionou a tecla vermelha durante um segundo e escreveu uma mensagem rápida para Bill a combinar o local e as horas para se encontrarem no dia seguinte. De seguida pressionou a tecla durante mais tempo, e desligou o telemóvel. Enfiou-o dentro da mala e saiu de novo para a florista, comprou uma rosa vermelha e dirigiu-se para o local habitual, desta vez com o livro que Simone lhe oferecera nos anos. Ali ficou até o pôr-do-sol. Até suspirar, fazer a troca de rosas e se dirigir calmamente a até casa.

 

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Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009

7º Capítulo - Odeio-te a Ti

Sete

Fica comigo

 

 

            As sombras beijavam o chão, marcavam cada contraste das árvores onde provinham. Megan olhava os pássaros negros com raiva. Tudo negro, tal como naquele dia. Os mesmos pássaros, o mesmo local, a mesma solidão, mas menos um toque nos seus lábios, menos uma desilusão recente. Mas ela perdurava ainda na sua mente, brilhava como se fosse uma tinta fresca que deixa a sua marca nas nossas costas.

Pegou na garrafa vazia e pousou-a em fila com as outras. Puxou o saco de papel pardo e retirou uma outra, cheia. Abriu-a e bebeu-a sofregamente.

- Vais faltar às aulas?

Levou novamente a garrafa aos lábios e deixou que o líquido quente lhe escorregasse pela garganta.

- Desde quando te preocupas comigo? – Olhou para ele com os olhos franzidos e arrotou sonoramente.

 Tom baixou-se e pousou a guitarra no chão, olhou-a atentamente, de cócoras e depois suspirou, vendo a expressão confusa no rosto de Megan.

- Não faças isto a ti própria…

- Desde quando, tu te preocupas comigo? – Repetiu, pausadamente e com a voz oscilando entre o agudo e grave.

- Desde sempre, tu é que pareces não reparar.

Ela riu sonoramente. Acabou de beber a garrafa num golo, e pousou-a novamente alinhadamente. O gesto repetiu-se, pegou no saco de papel pardo e retirou outra.

- Tens assim tantas? – Perguntou Tom, interessado.

Ela encolheu os ombros e chegou-se para o lado, fazendo sinal para ele se sentar. Ele obedeceu-lhe e retirou-lhe a garrafa de cerveja da mão, bebendo-a de seguida.

- 4 anos Meg.

- Óptimo, óptimo… - murmurou ela – Sempre soube que tinhas um problema Tom, até contas os dias que passam sobre a merda que fizeste.

Mostrou-lhe os dentes num sorriso forçado e arrancou-lhe de novo a garrafa, bebeu-a de uma vez e juntou-a às outras. Tom afastou o saco e colocou as mãos sobre o colo, olhando-a de novo. Só agora reparava como isso a incomodava. Desviava o olhar em todas as direcções.

- Nunca bebeste assim…

- Tu sabes lá – ripostou.

- Sei.

- Deixa-te de analogias. Tu não me conheces. – Esfregou os olhos e suspirou.

- Conheço.

- Nunca conheceste.

- Sempre conheci.

- Cala-te, vai-te embora. Isto enoja-me em todos, todos os sentidos.

- Não posso…

Ela olhou o céu, deixou que todos os pensamentos se convergissem na tão frequente raiva.

- Vai-embora-de-uma-vez-por-todas! – Distinguiu cada palavra sobre o olhar desapontado do rapaz.

- Não.

Ela encostou-se na lápide e sentiu os olhos tremer. Fungou e recolheu o corpo contra os joelhos. O olhar do rapaz desviou-se para ela e encheu-se de ternura. Vendo-a de novo tão indefesa, tão pequena e tão linda.

Afastou-lhe o cabelo dos olhos e viu que se formavam pequenas gotículas.

- Vais ter umas férias prolongadas. – Murmurou com um sorriso.

- Hum?

- Amanhã não há aulas, hoje é o último dia. Depois é só férias e férias.

Ela engoliu em seco. Sentiu aquela mão suave percorrer-lhe a linha do queixo, mas não a tentou parar, limitou-se a suspirar.

- Férias, tudo de novo. – Parou e levantou a cabeça, olhando o nome inscrito na lápide.

- Brenda Thompson. – Citou. – Estranho nunca as chamarmos pelos nomes não é? – Cravou o olhar sustido em Tom.

- Não muito… - Abriu a boca e fez um trejeito enviesado, procurando palavras.

Megan levantou-se cambaleante e chegou até ao saco de papel pardo, abriu-o e de repente ouviu um trovão. Olhou para cima e viu a chuva rala começar a cair. Bem tímida primeiro, e depois com toda a sua força. Tom ficou no mesmo sítio, observando as lágrimas de Megan fundir-se com a chuva.

- Eu sinto muito Meg… Sabes que me arrependo tanto como tu.

Ela continuou a fitar o céu, para depois romper num grito histérico e irado.

- Mas tu contaste-lhe! Tu vieste mostrar-lhe porquê?! Porquê Tom?!

Ele levantou-se rapidamente, foi ao saco também e trocou as rosas tal como Megan fazia sempre. Uma rosa velha por uma nova.

Olhou a rosa murcha e deu-a a Meg. Ela baixou a cabeça rapidamente e o sangue pareceu desaparecer de todo o corpo.

O seu olhar encheu-se de compaixão, pegou no corpo da rapariga e ela meteu a rosa entre os dentes, para abraçar o seu corpo, que se movia com os passos lentos.

- Porque sou um fraco Meg. – Acabou por dizer, enquanto caminhava com ela até sua casa. – Deixa-me tomar conta de ti.

Pousou-a na cama, fraca, e passou-lhe a mão pelo cabelo.

- Odeio-te… - murmurou Megan – Fica comigo.

Ele deitou-se junto dela e passou-lhe os dedos pelos cabelos repetidas vezes, até o sono se abater pelos dois. Era de tarde, mas era como se a noite tivesse chegado muito mais depressa aqueles dois corpos, para os consolar.

  

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Terça-feira, 22 de Dezembro de 2009

6º Capítulo - Odeio-te a Ti

Seis

Não assim…

 

 

            Megan respirou fundo repetidamente. Arranjando fôlego para deixar a raiva e se despedir educadamente de Bill. Sabia que ele não fizera aquilo por mal, sabia como ele reagia mal a segredos, e talvez tudo isto fosse demais. Bill tinha um coração enorme, o maior que ela já vira, mas nem o mais forte aguenta uma amizade tão forte com uma barreira tão grande. Mas ela esforçava-se cada vez mais. Não o queria deixar daquele modo, não queria desistir de algo que sempre fora tão importante.

            Não queria cometer o mesmo erro que tinha cometido com Tom. Sim; agora admitia ser um erro, depois de ter observado aqueles olhos de tão perto, foi invadida pela saudade de os olhar tão frequentemente, que adivinhasse o brilho que iriam tomar. Queria que os olhos cintilantes de Tom não lhe fossem tão surpreendentes. Queria de novo a amizade. Mas a raiva mandava-a abaixo, cada vez que via o seu sorriso ténue por a irritar, quando ele se apercebia que a afectava de tantas formas. Queria apenas esganá-lo, mas apressava-se a fugir, tal como a primeira vez no cemitério.

            A porta abriu-se, e foi apenas nesse momento que ela deu conta que não a tinha trancado, pois não havia trinco naquela velha casa de banho há muito, muito tempo. E ela sabia perfeitamente quem o tinha arrancado da superfície gasta da ombreira da porta.

            Virou costas à figura que entrava e suspirou. Parou de respirar, esperando um toque a qualquer momento; e ele chegou. Uma mão caiu sobre o seu ombro, e ela estremeceu, voltando a respirar atabalhoadamente.

            - Não faz mal… Eu entendo a maneira de te comportares assim…

            O seu outro ombro foi preenchido, e o gotejar dos seus olhos tornou-se mais pesado, mas não chorou. O seu corpo foi virado e fechou os olhos, para tornar o abraço mais intenso. O que não esperava era aquele cheiro, aquele peito mais definido, uns braços ligeiramente mais fortes e um tecido bem mais fino do que o casaco de cabedal de Bill. Afastou-se rapidamente, mas Tom continuou com as mãos sobre os seus ombros.

            - Tom! – Gritou, tentando soltar-se.

            O gémeo mais velho encostou-a à parede e olhou-a de novo. Afastou de novo a franja ondulada e observou a cicatriz ainda de mais perto, desceu para os olhos, para o nariz arrebitado e para os lábios de uma cor viva natural. Nessa altura, já Megan estava imobilizada, tremia em toda a sua superfície.

            - Desculpa Meg… -murmurou.

            Os olhos de Meg estavam quietos, perdidos de medo, ansiedade e fascínio. Uma mistura tão rara, e realmente única.

            - Deixa-me… - a voz tremia-lhe tanto que as palavras deixavam de coagir – tenho de… deixa-me sair Tom, deixa-me ir.

            A mão de Tom deslizou pela sua face. Se Megan não o conhecesse, diria que era um tímido acto de carinho.

            - Por favor Tom?

            Ele afastou-se do seu perímetro, e ela conseguiu dar dois passos até à porta, antes de ser interpelada de novo.

            - Meg… Porque não tratas a Ginger da mesma maneira que me tratas a mim?

            - Achas que ela merece? – Megan elevou o sobrolho e rodou a maçaneta.

            - Não, tal como eu que… - não teve coragem de continuar. – Deixa-me tentar Meg. – Pediu sinceramente, enquanto a tentava tocar de novo com as pontas dos dedos.

            - Não Tom, não assim…

            - Assim? – Perguntou desentendido.

            Ela engoliu em seco e saiu para o corredor.

            - Nós não somos amigos.

            Atravessou a corredor e observou Bill, sentado na sala, e que se levantou imediatamente quando a viu entrar na divisão.

            - Meg, desculpa.

            Ela foi ao seu encontro e abraçou-o, deixando para Bill todos os sentimentos que fluíam há segundos atrás.

            - Eu sei Bill. Está tudo bem.

            Afastou-se e sorriu ligeiramente.

            - Tenho de ir para casa, telefono amanhã. Ok?

            - Claro.

            Beijaram a face um do outro, Meg pegou na mala e saiu da casa dos Kaulitz, sobre o olhar atento de Tom, que a observava da janela do seu quarto, seguir para a direcção oposta da sua casa.

           

            Megan deitou-se sobre a lápide fria e passou os dedos pelas reentrâncias das datas antigas e o nome gasto. Sorriu e deixou que as escassas memórias entrassem até aos seus sonhos. Adormeceu por fim.

 

 

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Segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009

5º Capítulo - Odeio-te a Ti

Cinco

Quando olhas assim…

 

             

            Tocou na campainha apenas uma vez, e o corpo esguio e magro que conhecia já estava na sua frente, com um enorme sorriso a iluminar-lhe o rosto. Envolveu-a num abraço apertado e beijou-lhe a face.

            - Obrigado por teres vindo Meg… - Murmurou Bill.

            - Não é nada de mais – constatou imediatamente, antes de encolher os ombros e apreciar a casa como se fosse a primeira vez.

            Sorriu, ao relembrar como a casa era acolhedora. Como se possuísse sempre aquela média luz do pôr-do-sol. O sofá onde passava horas sem fim, onde adormecera de cansaço vezes sem conta, estava mesmo ali no seu campo de visão. Olhou as escadas onde tinha descido em flecha em cima de um colchão. E desatou numa gargalhada ao levar a mão ao sobrolho.

            - Lembras-te quando desci aquela escada contigo, em cima de um colchão e bati com a cabeça no corrimão? Eu chorei tanto ao pé da tua mãe para ela não chamar o meu pai, para que ele não se zangasse comigo. Acho que ele nem sabia que eu estava cá…

            Bill assumiu uma expressão confusa e depois sorriu, um sorriso bastante diferente do de Megan. Pegou-lhe no cotovelo e arrastou-a até à sala mais pequena, separada por uma meia parede da cozinha.

            Meg sentou-se numa cadeira que Bill lhe indicava, enquanto olhava Tom, que só reconhecia da cintura para cima, perto do fogão.

            - Olá Meg. – Cumprimentou educadamente.

            - Olá Tom.

            Fitou a mesa, com o objectivo de retirar os olhos de cima do louro.

            Bill sentou-se na mesa redonda, deixando um lugar vazio para Tom, que saía da cozinha com um recipiente cheio de massa com um molho vermelho que Meg conhecia tão bem.

 

            “- Não há carne, nem natas, nem nada para pôr em cima… - queixou-se Tom. – E o Bill deve estar quase a chegar…

            - Tem calma Tom! Vamos fazer-lhe esta surpresa na mesma.

            Saltitou até ao frigorífico, com a mínima figura de Tom a observá-la.

            - Se calhar vou telefonar para a minha mãe…

            - Ah! – Gritou em triunfo.

            Atirou a Tom uma embalagem de ketchup e sorriu.

            - O Bill vai adorar.

            Tom sorriu e saltitou do mesmo modo para junto de Meg.

            - És um génio! – Beijou a face de Meg euforicamente e despejou metade da embalagem para cima da massa.”

 

 

            Agora tinha na sua frente, uma imagem totalmente igual… mas as figuras tinham crescido, e as relações tinham-se distanciado.

            - Tom… - começou Bill – Lembraste quando desceste as escadas em cima de um colchão?

            Tom olhou primeiro para o irmão, enquanto levava uma garfada à boca. Deixou cair o garfo e pejou-se num riso, primeiro tímido e depois bastante sonoro.

            - Claro que me lembro!

            Os olhos de Tom dirigiram-se logo a Meg mas esta fingiu não os ver.

            - Partiste a cabeça Meg… Ainda tens a cicatriz?

            Aproximou-se rapidamente, para que ela não pudesse replicar. Levantou-lhe a franja e olhou-a nos olhos, bem fixamente. Desta vez, não havia maneira de Megan fugir. Observava cada traço da íris caramelo de Tom, profunda e doce. Há muitos anos que não o observava assim.

            Bill tossiu sonoramente enquanto sorria para o prato. O irmão recompôs-se, enquanto os seus olhos brilhavam de um sentimento desconhecido, enquanto deixava que a imagem dos olhos de Meg penetrassem mais na sua mente, segundo por segundo, era um buraco mais fundo, e mais embelezado.

            - Sim, ainda a tens… - acabou por murmurar.

            Bill explodiu num riso e olhou os dois pesadamente.

            - Foi com o Tom que partiste a cabeça, não foi comigo Meg.

            - Pois, parece que me enganei… - As suas faces rosaram, à medida que mordia o lábio com mais força e o silêncio se instalava de novo.

            - Agora que estamos aqui todos… Tom, conta-me lá o que fizeste à Meg.

            Ela engoliu em seco, olhou Bill com raiva e depois fitou Tom longamente, esperando que ele finalmente, tivesse a idiota ideia de contar ao irmão o que Meg fazia a seguir às aulas.

            - O que fiz do quê Bill? – Perguntou o louro com indiferença.

            - Para ela ficar assim para ti. Digam-me os dois. – Sorriu, e quando se apercebeu que nenhum dos dois iria falar, assumiu uma expressão séria. – Qual é o problema afinal?! – Passou o olhar para Meg e sorriu de novo – Meg, tu e o Tom…?

            Ela pousou os talheres no prato sonoramente, deixou que todo o sangue lhe afluísse à cabeça e depois empurrou a cadeira para trás com força.

            - Não sabes deixar de dizer merda Bill?

            Saiu da mesa, decidida e entrou na porta ao lado da cozinha. Chegou ao lavatório da casa de banho e molhou a cara. Olhou-se ao espelho e viu os seus olhos inundados de raiva.

 

            Na cozinha, reinava o silêncio.

            - Tu também não ajudas nada Bill… - murmurou Tom.

            - Desculpa – Admitiu finalmente e seguiu para o corredor também.

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